COMPLEXO BRASIL

VISITA DE ESTUDO À EXPOSIÇÃO

2 de fevereiro 2026 | Fundação Calouste Gulbenkian

Entrei
e o espaço não cabia em mim.
Havia som antes de haver imagem.
Cores que não pediam licença.
Histórias sobrepostas,
umas por cima das outras,
sem descanso.
O corpo andava devagar,
mas a cabeça não.
Algo puxava,
algo incomodava,
algo ficava.
Entre uma obra e outra,
apareciam sentimentos difíceis de nomear.
Não era rejeição.
Também não era conforto.
Era presença.
Algumas peças diziam tudo
sem precisar explicar.
Outras ficavam atravessadas,
como se pedissem tempo.
Nada ali era leve.
Mas havia verdade.
Camadas que se tocam
sem se resolver.
Saí
com o corpo cheio
e a sensação estranha
de levar algo comigo
sem saber bem o quê.
Complexo Brasil ficou assim.
Não como resposta,
mas como peso,
curiosidade
e pensamento.

Ana Santos, 12º C